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Vitória da democracia


Por marciobasso 26/08/2010 - 02h41

As eleições presidenciais de 2010 têm tudo para se tornarem genuinamente democráticas. Explico o porquê. Tudo indica que Dilma Rousseff, candidata governista, sombra do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vencerá o pleito no primeiro turno ou, no mínimo, no segundo com maior folga do que se imagina. Literalmente, se e quando ocorrer, será uma vitória democrática.
Etimologicamente, democracia significa governo do povo. Portanto, temos dois elementos aqui presentes. O povo, ao que parece, quer Dilma para que permaneçam ou cresçam os projetos sociais que tanto favorecem considerável parcela carente. Bolsa-família, Minha Casa, Minha Vida, etc. Bolsa-Família é eminentemente assistencialista, embora prometam que será ampliado. Mas é só promessa. E o povo, em sua maioria, fica com a promessa. Raciocina que é melhor do que nada. Ou a perda de tudo o que se tem hoje.
Engraçado que ouvi Dilma candidata e Lula – cabo eleitoral de primeira grandeza – falarem, na propaganda política, de melhorias na educação. Tudo bem. Vai ver não deu para fazer muita coisa em oito anos de mandato. Mas daqui para a frente, certamente vai ocorrer alguma coisa. Quem sabe mais universidades públicas de qualidade, mais creches em condições de atender decentemente a população, mais incentivo à pesquisa científica e salários compatíveis com a qualidade que se exige de professores da rede pública. Expectativas. Nas quais o povo acredita. E por isso sabe exatamente em quem votar. E por isso, quando perguntado, grita em coro que quem vai ganhar é Dilma. E Dilma caminha firme para alcançar a coroa da glória terrena. Esta é a parte do povo.
Mas democracia é uma junção de povo e governo. E qual tem sido a parte do governo na candidatura de Dilma Rousseff? Sem dúvida, muita ajuda e relevante importância. O governo é quem lhe deu visibilidade e continua lhe dando na atualidade. Lula só dosou suas aparições em programas de governo da candidata por alguma pressão da oposição. Mas indubitavelmente puxa mais votos para a ex-ministra-chefe da Casa Civil do que qualquer outro cabo eleitoral que segura faixa na rua ou manda e-mails pedindo votos.
Para completar, o amigo Lula, atual presidente, trabalha de maneira incansável para garantir vitórias estaduais, na Câmara e no Senado. Tudo em nome da governabilidade futura. Governabilidade para Dilma, claro. O governo trabalha firme em prol de Dilma. E o povo também. Portanto, governo democrático. Democrático, acrescento, se ainda houver alguma sobra de oposição e autonomia dos poderes que podem fazer alguma consideração crítica ao governo da “mudança que continua” e pretender continuar por um bom tempo. Vamos ver.
Felipe Lemos é jornalista