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Vice-cônsul viaja ao local de chacina que matou brasileiros no México


Por marciobasso 26/08/2010 - 11h09

O vice-cônsul do Brasil no México, João Zaidan, viaja na manhã desta quinta-feira à San Fernando, cidade mexicana onde ao menos quatro brasileiros foram mortos em uma chacina realizada pelo cartel Los Zetas. Após serem alertados pelo único sobrevivente, um equatoriano, as autoridades encontraram 72 corpos de imigrantes ilegais em um rancho da cidade, que fica no Estado de Tamaulipas, na fronteira com os EUA.
Zaidan viaja com uma delegação consular em uma aeronave disponibilizada pelo governo mexicano e que também levará diplomatas dos outros países de origem dos imigrantes mortos –El Salvador, Honduras e Equador– para verificar a nacionalidade das vítimas e o andamento das investigações.
Com a chegada dos diplomatas, deve começar o trabalho de identificação dos corpos. O cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Lage, disse em entrevista à Folha.com que não descarta que o número de brasileiros mortos aumente uma vez que todos os cadáveres sejam identificados.
Ontem, a Procuradoria do México informou que os corpos não serão mais transportados para Ciudad Victoria, capital do Estado de Tamaulipas, como tinha sido anunciado antes.
A decisão foi tomada para que os peritos do ministério público possam agilizar as investigações e, ao mesmo tempo, fazer as necropsias.
MASSACRE
Um sobrevivente identificado apenas como Freddy, e que está sob forte esquema de segurança, foi o único sobrevivente da chacina atribuído ao cartel do narcotráfico Los Zetas. Depois de se fingir de morto, ferido com um tiro na garganta, ele chegou a um posto da Marinha mexicana e contou às autoridades sobre o massacre e que havia imigrantes brasileiros e equatorianos entre os mortos.
Freddy relatou que os estrangeiros foram sequestrados por um grupo criminoso quando tentavam chegar à fronteira com os Estados Unidos. Ele disse ser um imigrante ilegal vindo do Equador que teria escapado da ação.
Segundo o sobrevivente, os homens disseram pertencer ao grupo Los Zetas e resolveram assassinar os imigrantes após eles recusarem a oferta de trabalhar como matadores de aluguel para a organização criminosa. Eles teriam oferecido US$ 1.000 quinzenais.
O mesmo grupo foi responsabilizado ainda na terça-feira (24) pelo assassinato, há uma semana, de Edelmiro Cavazos, prefeito da cidade mexicana de Santiago, no Estado de Nuevo León, revelaram autoridades locais.
O prefeito advertiu alguns policiais municipais por maltratar ciclistas de montanha e impôs-lhes sanções, que incluíram uma diminuição do salário. A atitude teria incomodado o Los Zetas, e fez com que pensassem que Cavazos estava do lado de um grupo rival.
PERCURSO
As vítimas teriam entrado pelo Estado de Chiapas, na fronteira com a Guatemala, e conseguido chegar a Tamaulipas, na divisa com o Estado americano do Texas.
De nacionalidade equatoriana, o sobrevivente levou um tiro na garganta e foi hospitalizado, disse o porta-voz da Procuradoria Geral da República, Ricardo Nájera.
Após a declaração dele às autoridades, as forças da Marinha do México foram até o local. Houve uma troca de tiros, que matou um militar e três criminosos. Em seguida, as autoridades encontraram em uma fazenda perto dali os corpos de 58 homens e 14 mulheres. Os corpos devem ser levados nas próximas horas ao necrotério de Ciudad Victoria, capital do Estado.
As autoridades detiveram ainda um jovem na fazenda, onde também foi recolhido um arsenal com ao menos 21 armas de grande calibre, fuzis, escopetas, rifles e carregadores.
ONDA DE VIOLÊNCIA
Nos últimos anos, o México vem assistindo a uma escalada de violência por conflitos das forças de ordem com os cartéis narcotraficantes, e entre os próprios grupos ilegais.
Desde dezembro de 2006, quando o presidente Felipe Calderón mobilizou as Forças Armadas para combater os criminosos, já foram assassinadas pelo menos 28 mil pessoas no país, de acordo com dados oficiais.
Em 2009, a Comissão de Direitos Humanos estimou que 10 mil imigrantes, a maioria centro-americanos, foram sequestrados no México em seis meses, e a maioria de sobreviventes identificou os raptores como membros dos Zetas.
Nos últimos dois meses e meio, foram encontrados duas grandes valas clandestinas no país. As autoridades acreditam que foram usadas por matadores do narcotráfico para desfazerem-se de corpos de inimigos.
Em 7 de junho foram encontrados 55 corpos em uma fossa clandestina junto a uma mina do histórico povoado de Taxo (sul do México). em 24 de julho, foram encontrados mais 51 corpos em nove valas no Estado de Nuevo Léon (norte), que também é disputado entre o Cártel del Golfo e o Los Zetas.