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Vencedora de leilão diz ter crédito para investir em Viracopos


Por marciobasso 09/02/2012 - 04h54

A Triunfo Participações tem limite operacional aprovado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para participar dos investimentos no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). A empresa, que na segunda-feira teve seu consórcio vencedor na disputa pelo terminal no interior paulista com lance quase 160% superior ao mínimo exigido pelo governo, disse ainda ter R$ 1,2 bilhão disponível no mercado de seguro garantia para o empreendimento.
 Além da Triunfo, com 45%, o consórcio que ficará com Viracopos por três décadas inclui a francesa Egis Airport (10%) e a UTC Participações (45%). Como a estatal Infraero continuará com 49% de participação no terminal, dentro de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) a ser criada, a fatia da Triunfo em Viracopos será, na verdade, de 23%.
 Assim, neste ano e em 2013 a parcela da Triunfo nos investimentos totais programados no aeroporto será de R$ 9,2 milhões e de R$ 90,8 milhões, respectivamente, segundo apresentação da companhia preparada para analistas em teleconferência que acontece na tarde desta quarta-feira. A Triunfo espera que a geração de receita com o terminal comece 120 dias após a assinatura do contrato de concessão, prevista para o início de maio.
Após acumular perda de 13% nos dois últimos pregões na bolsa paulista, a ação da Triunfo subia e tentava recuperar parte das quedas registradas após o leilão de aeroportos. Às 14h09, o papel tinha ganho de 1,31%, a R$ 7,75. A ação não integra a carteira teórica do Ibovespa, que tinha variação positiva de 0,02% no mesmo horário.
O forte ágio visto no leilão dos aeroportos de Guarulhos (SP) e Brasília (DF), além de Viracopos, levantou temores sobre o retorno que os empreendimentos trarão aos grupos vencedores. O ágio total sobre os pisos definidos pelo governo para outorga dos terminais foi de quase 350%. Grupos nacionais e estrangeiros vão pagar R$ 24,5 bilhões para assumir o controle dos três aeroportos, contra mínimo no edital de cerca de R$ 5,5 bilhões.
O leilão
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizou nesta segunda-feira um leilão para transferir ao setor privado a exploração de três terminais aéreos internacionais: o de Cumbica, em Guarulhos, o de Viracopos, em Campinas e o Juscelino Kubitschek, em Brasília. O aeroporto de Brasília foi o que teve o maior valor acima da oferta mínima exigida pelo governo. O consórcio Inframerica Aeroportos levou a concessão na capital federal com a oferta de R$ 4,5 bilhões, ante preço mínimo de R$ 582 milhões – um ágio de 673%.
O consórcio formado por Invepar, OAS e a sul-africana ACSA, apresentou a melhor oferta econômica pela concessão do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), no valor de R$ 16,2 bilhões, com ágio de 375% sobre o preço mínimo de R$ 3,4 bilhões. Já o consórcio que inclui a Triunfo Participações e a francesa Egis Airport Operation fez a proposta financeira mais elevada pelo aeroporto de Viracopos (SP), de R$ 3,8 bilhões. O preço mínimo era de R$ 1,47 bilhão – um ágio de 159%. Os três aeroportos respondem, conjuntamente, pela movimentação de 30% dos passageiros, 57% da carga e 19% das aeronaves do sistema brasileiro.
Investimentos
Até o final da concessão de cada aeroporto estão previstos investimentos da ordem de R$ 4,6 bilhões em Guarulhos, R$ 8,7 bilhões em Viracopos e R$ 2,8 bilhões em Brasília. Os três aeroportos têm prazo de concessão diferentes. São 20 anos para Guarulhos, 25 anos para Brasília e 30 anos para Viracopos. Além da outorga, os concessionários terão que ceder um percentual da receita bruta ao governo, dinheiro que irá para um fundo cujos recursos serão destinados ao fomento da aviação regional. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar até 80% do investimento total previsto no edital do leilão para os três aeroportos.
Copa 2014
As concessionárias também têm investimentos mínimos estabelecidos para obras concluídas até a Copa de 2014. Para Brasília, estão previstos R$ 626,5 milhões, que devem ir para um novo terminal de passageiros para pelo menos dois milhões de pessoas por ano. Em Viracopos, a vencedora do leilão terá que colocar R$ 873 milhões, incluindo um terminal para 5,5 milhões de passageiros por ano. Já em Cumbica, a empresa deverá construir um terminal para sete milhões e fazer investimento de R$ 1,38 bilhão. Além disso, estão previstas obras de ampliação de pistas, pátios, estacionamentos, vias de acesso. Os contratos assinados determinam o estabelecimento de padrões internacionais de qualidade de serviço.
O que muda na operação
– A estatal Infraero é responsável pela operação dos aeroportos no Brasil
– Agora, nos aeroportos concedidos, a Infraero será sócia dos concessionários privados, com participação de 49%
– A partir do contrato, haverá um período de transição de seis meses no qual a concessionária administrará o aeroporto em conjunto com a Infraero. Após esse período, que pode ser prorrogado por mais seis meses, o novo controlador assume o controle das operações do aeroporto
– A Infraero continuará operando 63 aeroportos no País, responsáveis pela movimentação de cerca de 67% do total de passageiros
– Não há previsão de aumento ou diminuição das tarifas
Reuters News