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Trabalho infantil no país é menor que em 2000, aponta Censo


Por marciobasso 12/06/2012 - 03h59

O trabalho infantil no Brasil diminuiu em termos gerais desde 2000, mas aumentou na faixa entre 10 e 13 anos de idade, de acordo com os resultados do Censo de 2010.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira, em solenidade do dia mundial de combate ao trabalho infantil, pelo FNPETI (Fórum Nacional para a Prevenção e Eliminação do Trabalho Infantil).
A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) comemorou a redução e relacionou os resultados aos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. “O desafio agora é chegar nos núcleos mais duros de pobreza e do trabalho infantil, aquelas pessoas que não têm acesso às políticas governamentais”, afirmou.
Já para a secretária-executiva do FNPETI, Isa Oliveira, a diminuição de 13% no trabalho de crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos é insuficiente para uma década. Ela afirma que o índice representa uma redução no ritmo de eliminação do trabalho infantil no país.
Ela afirma que o aumento de 1,5% entre 10 a 13 anos, por sua vez, é preocupante porque a faixa etária corresponde aos anos anteriores à conclusão do ensino fundamental –o que provoca impacto sobre a aprendizagem, o abandono escolar e o não ingresso no ensino médio.
Em 2010, trabalhavam no país, de acordo com o Censo, cerca de 3,4 milhões de crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos. Juntos, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul detêm metade desse total.
O maior percentual do país ficou com Santa Catarina: 18,9% das crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos do Estado trabalhavam em 2010.
Na faixa de 10 a 13 anos, o maior aumento registrado no país foi no Distrito Federal, com 179%. Renato Mendes, coordenador nacional do programa para a eliminação do trabalho infantil da OIT (Organização Internacional do Trabalho), apresenta duas explicações: a ausência de priorização de políticas públicas para essa faixa e a movimentação econômica do DF, com incremento dos setores de serviços, comércio e agricultura.
O Estado de São Paulo viu um aumento de 54% do trabalho na faixa de 10 a 13 anos. No Rio o aumento foi de 50%. A Bahia detém sozinha 11% do total nacional de trabalho infantil na faixa de 10 a 13 anos.
A região Nordeste, entretanto, foi a única que teve diminuição do trabalho infantil em todas as faixas etárias, em todos os estados, quando comparados os censos de 2000 e 2010.
TOLERÂNCIA E NOVELA
Uma das maiores dificuldades apontadas por especialistas para a erradicação do trabalho infantil é a tolerância da própria sociedade brasileira.
“O trabalho infantil é quase permitido pela sociedade quando falamos de crianças de baixa renda. É como se a sociedade dissesse: ‘é melhor estar trabalhando do que estar no crime ou na droga’. Como se a criança de baixa renda tivesse apenas essas duas opções, o trabalho ou o crime, como se ela tivesse nascido sem o direito de ser criança”, afirma a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), da frente parlamentar contra o trabalho infantil.
Renato Mendes, da OIT, criticou a novela “Avenida Brasil”, da Rede Globo, por mostrar o trabalho infantil em lixões com relativa normalidade. “Lixão não tem fantasia. A dramaticidade do lixão deve ser apresentada de forma nua e crua, não pode ser fantasiada. Não podemos colocar na cabeça das pessoas que lixão é oportunidade de vida. Não é nem para adultos, e muito menos para crianças”, afirmou.
NÁDIA GUERLENDA
DE BRASÍLIA