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Sobe para 378 número de mortos no Camboja


Por marciobasso 23/11/2010 - 02h25

O número total de mortos em um tumulto sobre uma ponte em Phnom Penh, no Camboja, na segunda-feira (22), subiu de 345 para 378, informaram autoridades locais.
Um tumulto repentino deixou centenas de pessoas presas em uma ponte sobre o rio Mekong, que une a capital cambojana à Diamond Island, onde eram realizadas as festas do tradicional e popular Festival da Água.
O porta-voz do governo cambojano, Phay Siphan, destacou que o número de mortos ainda pode aumentar.

Tragédia em festa no Camboja matou mais de 350 pessoas; milhares foram feridos por pisoteamento (Foto: Chor Sokunthea/Reuters)


“Há 378 mortos e o número segue aumentando”, declarou Phay Siphan, antes de afirmar que 755 pessoas ficaram feridas.
As causas da catástrofe ainda são pouco claras, mas, ao que parece, correu o boato de que a ponte não era firme.
“Então começou o pânico. Havia muita gente e nenhum lugar para ir”, acrescentou outro porta-voz oficial, Khieu Kanharith.
O primeiro-ministro, Hun Sen, afirmou que esta é “a maior tragédia desde o regime de (Khmer Vermelho) Pol Pot”, que deixou dois milhões de mortos, ou seja, 20% da população, entre 1975 e 1979. Um dia de luto nacional foi anunciado para a quinta-feira.
A televisão exibiu imagens terríveis de pessoas amontoadas umas sobre as outras, algumas já mortas e outras ainda vivas tentando se libertar.
“Estávamos atravessando a ponte em direção à Diamond Island quando as pessoas começaram a empurrar do outro lado. Havia gritos e muito pânico”, relatou uma testemunha à AFP.
“As pessoas começaram a correr e caíam umas sobre as outras. Muita gente pulou na água”, acrescentou.
Testemunhas afirmaram que algumas vítimas estavam presas a cabos elétricos. Mas um médico descartou a hipótese de que pessoas tenham sido eletrocutadas.
A ponte, cujo acesso foi proibido nesta terça-feira, seguia coberta de sapatos, roupas e garrafas de água, abandonados em meio ao pânico.
“Agora temos que identificar os cadáveres”, acrescentou Khieu Kanharith, informando que serão buscados corpos de pessoas afogadas nos arredores da ponte.
O governo do país prometeu indenizar as vítimas com US$1.250 às famílias dos mortos e US$ 250 aos feridos. O Estado também comunicou que arcaria com as despesas de cuidados médicos.
LUTO
O primeiro-ministro de Camboja, Hun Sen, declarou que dia de luto nacional na próxima sexta-feira (26) e ordenou que as instituições oficiais deixem a bandeira a meio mastro em homenagem às vítimas.
Hun Sen explicou que ainda não está clara a razão do tumulto e que a polícia iniciou as investigações.
Horas depois da tragédia, a cena continuava a mesma. Sapatos, chinelos e roupas rasgadas faziam pilhas ao longo da ponte de oitenta metros ligando até uma ilha feita por aterramento.
Muitas pessoas sentaram em silêncio às margem do rio Tonle Sap, ouvindo o canto de centenas de monges budistas que deixaram flores e acenderam incensos para abençoar os mortos.
A televisão repetidas vezes mostrou cadáveres descalços ou sem camisa largados no chão ou no piso de hospitais, muitos de olhos abertos e cobertos de marcas.
PERDIDOS
“Este é o terceiro hospital que visito”, disse à EFE Ly Chomban, que busca por um amigo que não tem família na cidade.
Centenas de cambojanos se reuniram diante do hospital Calmette da capital para localizar ou identificar parentes. Sob uma tenda branca instalada, alinhavam-se fileiras de cadáveres que a polícia identificava.
Pelo menos mais seis estabelecimentos da capital também receberam corpos.
Caminhões militares começaram a transportar para aldeias os corpos das vítimas que viajaram à capital para participar da festa.
EVENTO
Milhares de cambojanos se reuniram durante três dias para assistir às regatas, shows e explosões de fogos de artifício.
O Festival da Água, o de maior tradição do país, tem por objetivo agradecer ao rio Mekong por alimentar as terras férteis do país e por sua abundância de peixes. Coincide com a lua cheia de novembro e marca o fim das cheias e a inversão do fluxo do rio Tonle Sap.
O Camboja é um dos países mais pobres da região, e tem um precário sistema de saúde, com hospitais incapazes de atender a demanda médica diária do país.
Fonte: Agências Internacionais