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Síria controla cidade rebelde e tropas avançam por montanhas


Por marciobasso 13/06/2011 - 04h30

As tropas leais ao regime do ditador sírio, Bashar Assad, controlam completamente nesta segunda-feira a cidade de Jisr al-Shughur, a primeira a cair nas mãos dos rebeldes desde o início dos protestos oposicionistas em março.
Ativistas de direitos humanos dizem que as tropas avançam agora para as florestas e montanhas próximas à cidade, em busca de “grupos armados” aos quais responsabilizam pela revolta contra o regime de Assad.

Antes da Síria, Egito, Tunísia e Líbia viveram revoltas populares (Divulgação)


As tropas prenderam ainda centenas de pessoas em vilas nos arredores da cidade rebelde. Refugiados abrigados na Turquia dizem que os detidos são homens com entre 18 e 40 anos de idade, um padrão visto em outros episódios de repressão desde que a revolta começou no país.
Quase 7.000 sírios já fugiram dos arredores de Jisr al-Shughour, procurando abrigo na vizinha Turquia. Outras milhares de pessoas estão abrigadas nas áreas rurais do lado sírio da fronteira, dizem ativistas.
As tropas lançaram no domingo uma ampla ofensiva com artilharia pesada e explosões, além de helicópteros e cerca de 200 tanques.
A TV estatal síria afirmou que a operação em Jisr al Shugur visava prender “terroristas” e apreender suas armas. De acordo com o relato oficial, apenas dois integrantes das organizações oposicionistas foram mortos.
A imprensa oficial síria relatou nesta segunda-feira a descoberta de uma cova rasa com corpos de dez agentes de segurança, cujas mãos, cabeça e pés foram mutilados.
“Grupos armados mutilaram os corpos que foram removidos da cova”, disse a TV estatal, acrescentando que o Exército entrou na cidade depois de desativar bombas de dinamite colocadas em pontes e estradas pelos grupos armados.
O regime sírio acusa “grupos armados” de ter matado mais de 120 membros das forças de segurança do país após manifestações na cidade, em 6 de junho -a invasão militar seria uma forma de retaliação pelas mortes.
No entanto, ativistas pró-democracia e grupos humanitários afirmaram que os soldados foram mortos pelos próprios militares ao se recusarem a atirar contra manifestantes desarmados.
A censura imposta pela Síria à imprensa impede a verificação independente de informações, mas ativistas afirmaram que pelo menos 1.300 pessoas já foram mortas no país desde março, quando começou a onda de revoltas contra Assad, cuja família está no poder desde 1971.
Fonte: Agências de Notícias