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Sem ajuda, 780.000 crianças morrerão de fome na Somália


Por marciobasso 28/07/2011 - 03h44

OA questão política é uma das maiores inimigas da vida na Somália Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) elevou, nesta sexta-feira, para 780.000 o número de crianças somalis que correm o risco de morrer de fome se não receberem ajuda imediata. “Estamos falando apenas da Somália”, ressaltou em entrevista coletiva a porta-voz do Unicef em Genebra, Marixie Mercado. Ela acrescentou que o número total de crianças em situação de “desnutrição severa”, se consideradas também aquelas que vivem no Quênia e na Etiópia, é de 2,3 milhões neste momento.
O dado supera o divulgado na última terça-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que cifrou em 500.000 a quantidade de crianças que enfrentam “um iminente risco de morte” no país africano. A ONU decretou, na quarta, que duas regiões do sul da Somália, Bakool e Lower Shabelle, estão em situação de crise de fome – circunstância que não era observada no país desde 1992.
Rombo – Nas últimas horas, as Nações Unidas frisaram que se trata da “pior crise alimentar” dos últimos anos e redobrou seus esforços para que a comunidade internacional contribua com os recursos financeiros necessários para combatê-la.
A organização internacional solicitou a seus membros 1,9 bilhão de dólares (quase 3 bilhões de reais) para ajudar Etiópia, Quênia e Somália – mas por enquanto só recebeu menos da metade dessa quantia. “Temos um rombo de um bilhão de dólares”, disse na quinta-feira a subsecretária geral para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), Valerie Amos, que advertiu que a crise vai ser longa.
Esforços – Neste contexto, o Unicef anunciou nesta sexta-feira que deve iniciar um plano especial para aumentar de maneira maciça suas operações humanitárias no Chifre da África (Somália, Etiópia, Djibuti e Eritreia). “Estamos preparando nossa capacidade logística para entregar provisões de alimentos suplementares sem precedentes por toda a região”, declarou Shanelle Hall, diretora de provisões do Unicef. “Se quisermos salvar vidas, temos que atuar agora. Temos que fazer chegar quantidades enormes de remédios, vacinas e provisões nutricionais na região o mais rapidamente possível e entregá-los às crianças que mais necessitam”, declarou Hall.
Desde o início de julho, o Unicef conseguiu fazer chegar 1.300 toneladas de provisões às áreas do sul da Somália mais afetadas pela seca e o conflito armado, os causadoras dessa catástrofe humana. Mas o esforço é claramente insuficiente, visto que a previsão é de que apenas 240.000 crianças sejam beneficiadas pela ajuda do Unicef, que deve precisar de 100 milhões de dólares (cerca de 156 milhões de reais) até o final do ano para executar a operação com sucesso.
(Com agência EFE)