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Primeiro-ministro grego não aguenta pressão e deve renunciar hoje


Por marciobasso 07/11/2011 - 11h13

Foto: Yannis Behrakis/Reuters


A Europa exigiu e o governo de George Papandreou na Grécia caiu. Líderes políticos gregos chegaram a um acordo na tarde de domingo para a formação de um governo de união nacional na esperança de aprovar o pacote de resgate da UE, impedir um calote total e evitar o caos financeiro no continente.
O governo grego é o quinto a ser derrubado pela crise na Europa. Mas, dessa vez, o novo chefe de governo, as condições para assumir o poder e até a data de novas eleições foram determinados por Bruxelas.
Papandreou confirmou que não fará parte do novo governo e oficialmente entregará seu cargo nesta segunda-feira. Durante o dia, a imprensa local indicava que o substituto seria Lucas Papademos, ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), um tecnocrata capaz de estar acima da disputa política grega e o nome é apoiado pelos principais bancos europeus. Outros três nomes estavam na mesa de negociações. Oficialmente, porém, o indicado será conhecido apenas nesta segunda-feira.
O acordo ainda segue outra exigência da UE. Eleições serão convocadas, mas só depois de a Grécia aprovar no Parlamento seus compromissos de reformas exigidos pela UE para que € 130 bilhões sejam liberados para o país pagar suas contas. Essa era uma exigência da Alemanha e França, que se recusavam a voltar a negociar com os gregos as condições de resgate. Vários partidos gregos insistiam que queriam rever os termos do acordo.
Se Papandreou cai, o ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, pode permanecer em seu cargo. Ele é considerado a pessoa de confiança da UE e hoje vai a Bruxelas entregar aos demais ministros da zona do euro o compromisso de aprovação do pacote. “Temos de demonstrar que temos credibilidade”, disse. Sem mostrar o compromisso em cortar gastos, salários e pensões, a Grécia não receberá nem a parcela de € 8 bilhões prevista para pagar as contas até o fim do ano nem o pacote de € 130 bilhões para 2012.
Tensão
O dia tenso em Atenas começou com políticos fazendo declarações de guerra. Fontes no Parlamento grego revelaram ao Estado que entrou em ação uma ofensiva das capitais europeias, que exigiam um acordo antes da abertura dos mercados nesta segundah e da reunião de ministros de Finanças da UE em Bruxelas. A turbulência da semana passada já havia deixado as lideranças europeias enfurecidas com Papandreou.
Depois de fecharem um acordo no dia 26 de outubro, que incluía o perdão de € 100 bilhões da dívida grega, a UE e o mercado mundial foram surpreendidos com o anúncio de Papandreou que queria a realização de um referendo sobre o acordo. Paris e Berlim chegaram a um entendimento de que a Grécia teria de ser colocada em vigilância total da UE.
O recado foi reforçado neste domingo pelo comissário de Economia da UE, Olli Rehn. “Pedimos um governo de união e estamos convencidos de que essa é a única forma de restaurar a confiança”, disse.
Papandreou acabou desistindo da ideia do referendo. Mas Rehn deixou claro que a confiança já não existia entre ele e a UE e que os canais de comunicação haviam sido queimados. Assim, a manobra de Papandreou, que tinha como meta salvar seu governo e evitar eleições antecipadas, se transformou no último prego de seu caixão.
Líderes europeus dispararam ligações para Papandreou exigindo um acordo. Mas ele não seria o único a sofrer a pressão. Antonis Samaras, líder do partido Nova Democracia, foi alvo de ameaças por parte de outros partidos conservadores europeus que alertaram que, se ele não chegasse a um acordo, sua formação seria expulsa da aliança de partidos conservadores.
Tanto Samaras, que queria eleições imediatas, como Papandreou acabaram cedendo. O primeiro-ministro só não aceitaria deixar o cargo sem antes saber qual seria o governo, o calendário e o estabelecimento de uma data para as eleições. “Não posso sair e deixar um vácuo”, disse.
A pressão era também interna. Uma pesquisa mostrou que a maioria dos gregos queria o estabelecimento de um governo de união nacional e não novas eleições. A Igreja Ortodoxa e empresários apelaram para que os políticos “assumissem suas responsabilidades históricas”.
A corrida contra o relógio era evidente. Os políticos alertavam que, sem um acordo, esta segunda-feira seria um “inferno” nos mercados mundiais. “Essa incerteza está torturando o povo e precisa acabar”, declarou o presidente grego, Karolos Papoulias.
De fato, coube justamente a ele a última reunião do dia. Papoulias convocou Papandreou e Samaras e um acordo acabou sendo fechado no início da noite para o alívio de Bruxelas.