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Os possíveis efeitos deletérios das isoflavonas da soja na função da glândula tireóide


Por marciobasso 02/06/2011 - 02h16


Há séculos os países asiáticos tem sua dieta baseada no consumo da soja e seus derivados. Recentemente, esse hábito vem sendo incorporado pelos povos ocidentais, não somente pela riqueza de sua proteína vegetal, mas também pelos possíveis benefícios dos chamados fitoestrogênios e dentre eles, das isoflavonas.

Alavancados pelos estudos preliminares sobre os benefícios da soja, os alimentos fortificados com as isoflavonas e os suplementos à base desses compostos passaram a ser fabricados pela indústria alimentícia e de medicamentos com o intuito de atender à enorme demanda de pessoas interessadas em cuidar da saúde, principalmente mulheres após a menopausa.
Nossa preocupação a cerca do uso indiscriminado da soja e dos seus fitoestrogênios  até há poucos dias se baseava em estudos laboratoriais  que descobriram que esses compostos bloqueavam a enzima responsável pela síntese dos hormônios tireoideanos.  Agora temos fontes mais concretas sobre os efeitos deletérios da soja sobre a produção hormonal da glândula tireóide, pois há poucos dias foi publicado um estudo em humanos que demonstrou que nossa preocupação inicial tinha fundamento.
Esse estudo foi publicado há poucos dias na revista de endocrinologia J Clin Endocrinol Metab e  os autores avaliaram pessoas com função tireoideana limítrofe e demonstraram a conversão para o quadro de hipotireoidismo em 10% delas quando alimentadas com uma dieta rica em isoflavonas,  comparados com os efeitos de uma dieta com baixo teor desse fitostrogênio. 
Sabendo que até 10% das pessoas tem função tireoideana limítrofe e que esse número  chega a 20% em mulheres com mais de 60 anos, nós podemos avaliar o risco do consumo indiscriminado da soja e seus derivados, incluindo os suplementos de isoflavonas. Para se ter uma idéia, esse risco de falência tireoideana é de cerca de 3 vezes maior nessa população predisposta quando submetida a essas dietas e suplementos.
É importante que se tenha um cuidado redobrado na gestação e no climatério. No primeiro caso, dado aos riscos materno-fetais do hipotireoidismo e no segundo caso, em virtude da maior susceptibilidade da mulher no climatério para a disfunção tireoideana e por ela estar sujeita a receber suplementos de isoflavona para alívio dos sintomas climatéricos.
Apesar dos conhecidos benefícios da soja em relação à prevenção das doenças cardiovasculares, eles podem se tornar pouco expressivos, caso seus principais componentes como as isoflavonas possam levar à disfunção tireoideana. Essa condição, por si só, também aumenta o risco cardiovascular e pode anular, completamente, os benefícios da soja e de seus fitoestrogênios.
Fonte: Blog Comer sem culpa