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Nos EUA, Dilma se diz contra política protecionista dos países ricos


Por marciobasso 10/04/2012 - 12h55

Foto: Dida Sampaio/ Agência Estado


WASHINGTON – Ao lado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff atacou nesta segunda-feira, 9, o impacto sobre o valor das moedas e o crescimento das economias emergentes da política monetária expansionista adotada pelo Federal Reserve, o banco central americano, e de medidas protecionistas. “Essas políticas monetárias, solitárias no que se refere às políticas fiscais, levam à valorização das moedas dos países emergentes, levando ao comprometimento do crescimento dos países emergentes”, afirmou ela, ao final de uma hora e meia de conversa, no Salão Oval da Casa Branca.
Dilma incluiu em suas críticas a atuação de economias avançadas com “superávit fiscal”, em uma referência indireta à Alemanha. Mas não as detalhou. Preferiu concentrar-se nos desequilíbrios gerados por duas iniciativas do Fed de expandir o volume de dólares na economia americana como meio de estimular a atividade. Uma delas está em vigor até meados deste ano. Esse volume tem sido deslocado para economias emergentes com maior potencial de retorno, como a brasileira, e provocado a valorização do real. A consequência é a redução da competitividade do produto brasileiro no exterior e o barateamento de bens importados.
A presidente mencionou a presença desse tema na reunião de cúpula das Américas, nos próximos dias 14 e 15 em Cartagena (Colômbia). Insistiu que essa conjuntura está afetando os países latino-americanos e advertiu para o fato de o crescimento econômico regional depender do fortalecimento do seu mercado interno e da inclusão social das camadas mais pobres. Para ela, será imprescindível impedir que “medidas protecionistas, principalmente as ligadas ao câmbio, nos afetem”.
O papel do crescimento dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da recuperação da economia americana para o desempenho mundial também foram destacados por Dilma. “A grande flexibilidade da economia americana, a sua liderança na área de Ciência, Tecnologia e inovação e as forças democráticas que fundam a Nação americana tornam os EUA são muito importantes na contenção da crise e na retomada, na prosperidade”, afirmou. ” Brics respondem hoje por uma parte expressiva do crescimento econômico (mundial). Mas é muito importante perceber que a retomada do crescimento (mundial) em médio prazo passa também pelo expressivo crescimento dos EUA”, completou.
Barack Obama, declarou “ter sorte” por encontrar na presidente Dilma Rousseff uma “parceira”. Logo depois de 1h30 de conversas no Salão Oval da Casa Branca, os dois líderes fizeram declarações para a imprensa – sem dar chances para perguntas – e concentraram-se sobretudo nas oportunidades de negócios oferecidas de lado a lado. Obama elogiou os “progressos do Brasil” nos governos de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e admitiu seu interesse em fazer dos EUA “um grande cliente” do País no campo da energia. Especialmente, em petróleo e gás. “Esperamos cooperar em uma ampla gama de projetos energéticos”, afirmou Obama, sentado ao lado de Dilma.
Mais prolixa do que Obama, Dilma ressaltou o fato de o investimento direto produtivo (IED) do Brasil nos EUA hoje alcançar 40% do americano no mercado brasileiro. “A relação entre Brasil e EUA é muito importante para nós, tanto a bilateral como a multilateral”, afirmou, ao expressar a necessidade de estreitar laços e de ampliar o investimento recíproco. “É do nosso mais alto interesse estreitar nossas parcerias em economia e em inovação (com os EUA).”
A presidente igualmente mencionou as oportunidades abertas pelo setor energético para as companhias americanas, como as fornecedoras de equipamentos e prestadoras de serviços. Salientou como outras áreas igualmente importantes a serem exploradas as de inovação tecnológica, de inovação, de segurança e de infraestrutura para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.
Denise Chrispim Marin, correspondente de O Estado de S. Paulo
Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,nos-eua-dilma-ataca-politica-protecionista-dos-paises-ricos,108787,0.htm