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Miséria e ideologia demarcam território em guerrilha midiática


Por marciobasso 05/04/2011 - 02h58

Entre os documentos jornalísticos e fotojornalísticos que mais chocaram o mundo por revelar a situação de miséria de famílias brasileiras está a foto clássica de autoria de Gordon Parks, publicada na revista norte-americana Life Magazine em 1961. Na imagem, Flávio da Silva, um garoto de 12 anos, filho de um casal de retirantes nordestinos residentes na Favela da Catacumba, no Rio de Janeiro, aparece fragilizado por uma enfermidade e sem condições de tratamento.
A foto, que encerra a matéria “Uma família das favelas do Rio – A miséria, inimiga da liberdade”, feriu o brio da revista O Cruzeiro, que, tomada pelas dores nacionais, lançou um embate com a Life, publicando na edição de 7 de outubro de 1961 uma matéria-resposta sobre uma família porto-riquenha moradora em um cortiço de Nova York. No título, O Cruzeiro já anunciava o embate: “Repórter Henri Ballot descobre em Nova York um novo recorde norte-americano: MISÉRIA” (exatamente em maiúsculas e em negrito). É desse embate engendrado pela O Cruzeiro que trata a pesquisa que rendeu, no final de 2010, o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, da Funarte, ao professor Fernando de Tacca, do Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação da Unicamp.
Um verdadeiro dossiê do choque entre O Cruzeiro e a Life, a pesquisa está publicada na última edição da revista eletrônica Studium da Unicamp. Nada passou despercebido por Tacca, desde as passagens de Parks pelo Brasil (uma para revelar a miséria tropical e a segunda para repercutir a ação “benevolente” da sociedade norte-americana para com a família de Flávio) até a intenção norte-americana de mostrar uma América Latina em pleno “avanço comunista”.
Um olhar sobre o comportamento do fotógrafo Parks também foi importante para saber que, apesar do interesse pela situação de Flávio e do possível vínculo afetivo depois da reportagem, ele não foi vítima da ingenuidade, mas sim um enviado da Life, a qual retratava o pensamento oficial norte-americano.
Leia o texto completo (com imagens):  www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2011/ju489_pag0607.php
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