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Marcha contra presidente egípcio deve reunir 1 milhão


Por marciobasso 01/02/2011 - 07h39

Milhares de manifestantes se concentram nesta terça-feira no Cairo, capital do Egito, no início de um dia de megaprotestos no qual a oposição espera reunir um milhão de pessoas contra o regime de Hosni Mubarak, há 30 anos no poder. Uma semana depois do início dos protestos, a marcha desta terça-feira é vista como decisiva na pressão popular contra o governo ditatorial.
Na praça Tahrir (praça Libertação), símbolo dos protestos sem precedentes na era de Mubarak, já estão concentradas milhares de pessoas. Mais de 5.000 pessoas chegaram durante a madrugada e passaram a noite, violando o toque de recolher. Os manifestantes gritam palavras de ordem como “Fora Mubarak”.
Apesar dos violentos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança nos últimos dias, as Forças Armadas do Egito divulgaram um comunicado nesta segunda-feira admitindo o direito dos manifestantes de reivindicarem suas demandas e disseram que não usarão a força para conter os protestos.
O saldo de mortos durante os confrontos já está em 138, segundo a agência Reuters. Dada a situação caótica no país, no entanto, os números são desencontrados e não há dados oficiais confiáveis.

Marcha contra presidente Hosni Mubarak, deve reunir 1 milhão de egípcios no Cairo


De qualquer forma, helicópteros militares continuam sobrevoando a cidade e os soldados mobilizados na capital desde sexta-feira controlam os pontos de acesso.
A concentração desta terça-feira está marcada para começar por volta do meio-dia (8h em Brasília) na praça Tahrir, localizada no coração do Cairo e protegida exclusivamente por unidades do Exército. A expectativa, contudo, é que os protestos ocorram também em Alexandria, no norte do país.
Até o momento, a oposição rejeitou a formação de um novo governo, cujos ministros assumiram seus cargos na segunda-feira, e a designação do chefe dos serviços de inteligência Omar Suleiman como vice-presidente. Eles prometem protestar até a queda de Mubarak.
O Movimento 6 de Abril, o grupo opositor que promoveu esta revolta, convocou o povo egípcio para que se manifestasse nesta terça-feira de forma maciça. “Queremos fazê-la (a revolta) para que seja como um carnaval, com canções, poesias e espetáculos, tudo centrado em pedir a renúncia de Hosni Mubarak”, disse um porta-voz do grupo.
Os protestos populares contam ainda com o apoio da Irmandade Muçulmana e da plataforma política liderada pelo prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, a Assembleia Nacional para a Mudança.
Os organizadores dos protestos também convocaram uma greve geral, iniciada na segunda-feira, em um país já paralisado, com a Bolsa e os bancos fechados, os postos de gasolina sem combustíveis e os caixas automáticos vazios.
ANSIEDADE
O Egito, o mais populoso dos países árabes (80 milhões de habitantes), é um aliado do Ocidente na região e administra o Canal de Suez, essencial para o abastecimento de petróleo dos países desenvolvidos.
O barril de petróleo é negociado desde segunda-feira por mais de US$ 100, a primeira vez em dois anos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou que está disposto a ajudar o Egito a reconstruir sua economia. “O FMI está disposto a ajudar a conceber o tipo de política econômica que poderia ser aplicado no Egito”, disse Dominique Strauss-Kahn, diretor geral da instituição.
Além disso, o Egito é um dos dois países árabes que assinou um tratado de paz com Israel (o outro é a Jordânia).
Por todos estes fatores, o desfecho da crise gera ansiedade em todo o mundo.
A Casa Branca pediu calma na segunda-feira e se disse satisfeita com a “moderação” exibida pelas forças de segurança egípcias.
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, ex-ministro egípcio das Relações Exteriores, pediu uma “transição pacífica”. A União Europeia (UE) defendeu eleições “livres e justas” no país.
Fonte: Agências de Notícias (do site www.folha.com.br)