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Livro relaciona efeitos da internet à falta de concentração

Deborah Calixto, com informações do G1 – O novo livro de Nicholas Carr, The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains (O que a internet está fazendo com nosso cérebro), aponta alguns argumentos de como a tecnologia influencia a mente e não permite o pensamento aprofundado. Através de sua própria experiência, Carr percebeu como a internet é uma ferramenta poderosa e atrapalha a concentração.


Por Peka Ederson 11/06/2010 - 03h26

Deborah Calixto, com informações do G1 – O novo livro de Nicholas Carr, The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains (O que a internet está fazendo com nosso cérebro), aponta alguns argumentos de como a tecnologia influencia a mente e não permite o pensamento aprofundado. Através de sua própria experiência, Carr percebeu como a internet é uma ferramenta poderosa e atrapalha a concentração. Quando ele estava conectado e, ao mesmo tempo trabalhando em seu livro, não conseguia se concentrar. Para dar continuidade ao seu trabalho, o autor se manteve desconectado das redes sociais.
O livro de Carr mostra como as diferentes mídias afetam o cérebro e exploram as mudanças nas linguagens dentro da sociedade. O artigo que o mesmo autor escreveu para a revista Atlantic Magazine em 2008, “O Google está nos tornando estúpidos?”, fez com que ele tivesse mais interesse em se aprofundar no tema.
A psicóloga Ana Cláudia Magalhães acredita que a internet atrapalha completamente o interesse pela leitura aprofundada. “As pessoas não buscam ler livros na internet, e sim resumos”, aponta. Para ela, um dos motivos para que isso ocorra é o fato de a metodologia de leitura na internet ser cansativa. Mas, além disso, a internet apresenta ferramentas muito diversas e podem tirar o foco da leitura do texto. “Por exemplo, quando você lê um e-mail, nas laterais da tela sempre têm outras notícias ou atrativos que desviam a sua atenção”, acrescenta Ana Cláudia.
O desinteresse das pessoas por assuntos mais aprofundados cresce na medida em que a tecnologia evolui. Contudo, Ana Cláudia acredita que esse não é um argumento forte para os escritores desistirem de seus textos complexos e se adaptarem a textos mais simples e reduzidos. “Quem é leitor está cada vez mais exigente”, enfatiza.
Kátia Vieira, coordenadora da biblioteca do Unasp, campus Engenheiro Coelho, acredita que a influência da internet na leitura depende da forma como cada um a utiliza. Isso também vale para a busca de conteúdo. “Se as pessoas buscam coisas fáceis elas encontrarão, se buscam outras mais complexas também acharão”, afirma.
Como em todas as coisas da vida, na internet também é preciso fazer escolhas. Você pode utilizá-la como um excelente meio de se comunicar, como também pode fazer dela uma ferramenta destrutiva. “Na internet, nosso limite fica flexível”, declara Ana Cláudia. O limite é uma palavra-chave nessa questão. E se você começa a eliminar e passar por cima de tais limites é necessário reavaliar a situação.