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Jovens com Down chegam à universidade


Por marciobasso 21/03/2012 - 03h25

Esta quarta-feira, 21 de março, é Dia Internacional da Síndrome de Down. A nossa equipe foi a Brasília e encontrou exemplos de jovens com síndrome de down que superaram vários obstáculos e chegaram à universidade. A repórter Geiza Duarte conta a história da estudante Jessica Figueiredo e da pedagoga Erida Nublat, apenas duas entre esses vários jovens.
Aprovada em três vestibulares, Jéssica Figueiredo escolheu o curso de fotografia, mas ainda quer estudar moda. Ela tem síndrome de Down e diz que estar na faculdade é realizar um sonho. “Eu estudei muito, muito, muito mesmo. Todo dia. Eu tenho uma paixão por estudo”, conta a estudante.
Ver Jéssica ir tão longe, para a mãe, é mais do que uma vitória individual. “Representa a conquista de uma geração que enfrentou inúmeras dificuldades para entrar na escola regular. Não só para entrar, mas para permanecer nela”, afirma a servidora pública Ana Claudia Figueiredo, mãe de Jéssica.
Um levantamento feito por uma organização não governamental contou 18 estudantes com Down no Ensino Superior no Brasil.
Educadores e pais de jovens com síndrome de Down acreditam que esse avanço deles na escola aconteceu principalmente graças à inclusão. Há pouco mais de dez anos, só 20% dos alunos com deficiência frequentavam turmas regulares. Hoje, 75% estão em escolas regulares.
Foi o que mostrou o último censo escolar. Para vencer a dificuldade de aprendizado, a criança precisa de acompanhamento de profissionais como fonoaudiólogos e pedagogos, desde os primeiros meses de vida. “A forma como ela aprende é mais lenta. Então, a gente precisa estimular para que ela possa acompanhar as crianças da idade dela”, explica a fisioterapeuta Nadja Quadros.
Na rede pública, de acordo com o Ministério da Educação, 84 mil professores são especializados em ensino especial. “Os estados e municípios vêm buscando implementar políticas de inclusão escolar. Ainda não são suficientes, mas são bastante significativas. O que demonstra isso é que as famílias buscam acesso e, dessa forma, fazem avançar essa política”, afirma Claudia Dutra, da secretaria de Diversidade e Inclusão do MEC.
Para o diretor da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dennis Burns, o sucesso na escola e na vida também depende muito das famílias: “Hoje, as famílias entendem que as suas crianças têm um lugar na sociedade. Abrem oportunidade para as crianças aprenderem mais e demonstrarem aquilo que aprenderam”.
A família da Érica não se abateu quando uma professora disse que a menina, aos 8 anos, não tinha mais o que aprender na escola. “Ela foi para outra escola e terminou a faculdade”, conta Valéria Duarte, mãe de Érida. “Meio complicado, mas consegui com o meu esforço”, revela a pedagoga Erida Nublat. “Agora quero mais trabalho e mais estudo”.
Ainda nesta quarta-feira, no Senado, vai ser lançado o Portal Movimento Down, com orientações, informações. Por exemplo, as pessoas com síndrome de down têm uma série de direitos garantidos por lei, direito a escolas inclusivas, à preferência de atendimento em hospitais públicos.
Esta quarta-feira é um dia dedicado aos downs para celebrar o respeito à diferença e o esforço pela igualdade.
Fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/03/jovens-com-sindrome-de-down-chegam-universidade.html