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Independência ou Morte – Entenda o contexto econômico mundial


Por marciobasso 14/07/2011 - 08h40
 

O dia 2 agosto pode ser para os americanos, pelo menos neste ano, mais importante que o famoso 4 de julho (independência). É que na primeira segunda-feira do próximo mês acabam os recursos do Tesouro norte-americano para pagar suas dívidas. “Se o teto da dívida americana não for elevado, ocorrerá uma enorme calamidade financeira”, alertou o presidente do Banco Central dos EUA, Ben Bernanke.
Explico: na semana passada, os EUA atingiram o limite de mais de 14 trilhões de dólares, previamente aprovados para gastos do governo. Por isso, Barack Obama precisa de uma solução rápida para elevar o teto da dívida pública. A saída é negociar com o Senado ou, pela primeira vez na história da nação, dar calote.
É importante ressaltar que, desde o início do século XX, os EUA já elevaram mais de 100 vezes o teto da dívida pública, quando, por ocasião da primeira guerra mundial, o país necessitou controlar suas finanças. Embora o assunto seja interno, por questões eleitoreiras ganhou a esfera pública. Mas, pelo tamanho da dívida, que há cem anos era 1200 vezes menor, uma negociata rápida é muito importante. 
E para chegar a um acordo, Obama vai ter que conversar com os republicanos. Eles pressionam o presidente para que corte gastos do governo, inclusive do Sistema de Seguridade Nacional, que beneficia, com cuidados médicos, a milhões de idosos de baixa renda e pessoas com certos tipos de deficiência.
Os democratas lutam para que os mais ricos paguem mais impostos e que certas empresas deixem seus incentivos fiscais. Um possível calote dos Estados Unidos teria consequências em todo o mundo.
Os EUA gastam muito com guerras, armamentos e, há muitos anos, incentivam o consumismo desenfreado como forma de manter a economia “aquecida”. Mas tudo tem um preço, e a situação em que se encontram os EUA é fruto de uma economia que, ironicamente e de maneira ampla, não promove a economia (poupança, gasto consciente, investimentos conservadores) como forma de crescimento sustentável. Acrescenta-se ainda a compra das dívidas de bancos falidos em 2008.
Chega de demonstrar poderio fazendo guerras e gastando o que não tem. Chega de imprimir dinheiro como se fosse santinho em época de eleição. É hora de tomar medidas austeras e conscientes. A Itália agiu rápido, às custas de cortes de benefícios populares, é verdade, mas agiu.
Itália
O Senado italiano aprovou no dia 14 de julho um pacote de austeridade elaborado pelo governo. O plano prevê cortes de 79 bilhões de euros, cerca de 176 bilhões de reais, para evitar que o país seja o próximo a afundar na crise da dívida europeia.
A Itália é a terceira maior economia da zona do euro e tem a segunda maior taxa de endividamento da região, de 120% do PIB (Produto Interno Bruto). Ela está na lista de países europeus em risco de uma quebra, e que inclui Grécia (falida), Irlanda, Portugal e Espanha.
As medidas de austeridade italiana para o biênio 2013 e 20014 incluem: privatizações, congelamento de aposentadorias; e, a partir de 2013, não serão mais gratuitos os serviços de creche e de nascimento de filho.
O Senado italiano também aprovou, e a partir do dia 18 já está em vigor, o pagamento de 10 euros, cerca de 23 reais, por cada visita a um especialista da área médica. E de 25 euros, em torno de 58 reais, para casos de emergência.
Brasil
No Brasil as coisas não estão tão ruins, mas não há motivos para comemorar. As taxas de inadimplência crescem a cada dia e o cidadão está endividado. Em Curitiba (capital do Paraná), cerca de 88% das famílias têm dívidas. O endividamento médio mensal é de R$ 1.608, correspondente a 27% da renda. Em outras capitais o panorama não é muito diferente: Em Natal (capital do Rio Grande do Norte), 39% do orçamento das famílias, cerca de R$ 1.531, são destinados ao pagamento de dívidas. 
Os dados são do estudo “Radiografia do Endividamento das Famílias nas Capitais Brasileiras”, feito pela Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP) entre janeiro e maio.
Outros dados sobr pesquisa: http://is.gd/wfVGos
A oferta de crédito é altíssima, pois a taxa de juros do Brasil é a mais alta do mundo. Algumas financeiras concedem crédito pré-aprovado; bancos enviam cartões de crédito por correio, sem a devida autorização. O nome sujo na praça não é problema; cobra-se um pouco a mais de juros e tudo bem.
Agora, será que todos estes empréstimos serão pagos? A dúvida já preocupa os investidores internacionais também. O tema vem sendo tema de importantes jornais, como o britânico Financial Times.
Acrescenta-se a isso uma horrível especulação imobiliária (com crédito fácil por parte do governo e malandragem dos brasileiros em geral) e o dólar alto, tornando o produto brasileiro pouco atrativo no exterior.
E se o panorama não fosse suficiente, estão na moda as “fusões”: Pão de Açúcar/Carrefour (que, por sabedoria do parceiro francês do Pão de Açúcar, Casino, e “movimentação” da opinião popular, não foi concluída), Sadia/Perdigão (já aprovada), Gol/Web Jet, etc. Oligopólios estão sendo criados dia a dia. Ruim para a população, que vai perdendo o seu poder de escolha.
E para confirmar as evidências, um estudo feito pela Cepal, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, diz que o Brasil crescerá em 2011 menos do que a média dos países latino-americanos.
Segundo a análise, divulgada no jornal Folha de S.Paulo, com crescimento de 4% do PIB, numa visão otimista, o país, que tem quase 42% da soma das 33 economias analisadas, puxará para baixo o desempenho regional. Na América do Sul, o crescimento médio deve ser de 5,1%, ante 6,4% no ano passado.
Para pensar: a macroeconomia é o corpo, as multifaces da microeconomia, os membros do corpo, e estes são o que fazem as famílias com os seus salários. Por isso, compre apenas o necessário, pesquise, não se endivide. Seja independente, livre de credores abusivos, ainda que isto custe a morte do eu consumista.
Márcio Basso Gomes