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GP de F-1 da Índia contrasta luxo e pobreza


Por marciobasso 28/10/2011 - 08h52

Nunca o ambiente quase asséptico da F-1 experimentou um contraste tão grande quanto o que enfrenta neste final de semana, quando a principal categoria do automobilismo mundial expande seus domínios para a Índia.
Segundo país mais populoso do mundo e uma das economias que mais crescem no planeta, não à toa possui um gigante mercado em potencial para a categoria.
Mas não é preciso ir para longe do Buddh International Circuit, localizado a cerca de 50 km ao sudeste de Nova Déli (a capital do país), para perceber que a realidade indiana é muito diferente daquela à qual o mundo bilionário da F-1 se acostumou.
A poeira, a sujeira, os animais e a pobreza que ladeiam as estradas que ligam a capita ao circuito contrastam com a grandiosidade do autódromo. Um projeto que consumiu cerca de US$ 400 milhões e que pretende transformar Greater Noida em um grande complexo esportivo.
Bancado pelo Grupo Jaypee, um conglomerado de empresas que vão da produção de cimento a hotéis de luxo e imobiliárias, o projeto prevê ainda a construção de um estádio de críquete, o esporte mais popular do país, e de um campo de golfe.
Mas não é preciso deixar o circuito para ver os contrastes. Assim que chegaram para organizar os escritórios da Williams, no início da semana, funcionários do time se depararam com uma família morando onde a equipe trabalhará no final de semana. Pai, mãe e quatro filhos tiveram de deixar o local.
Na torre de controle, o forte cheiro de fezes incomoda. Sem ter banheiros para usar durante a construção do autódromo, os funcionários apelavam para o local.
Para a maioria dos pilotos que neste domingo disputará o primeiro GP da Índia da história, a partir das 7h30 (de Brasília), o choque cultural entre o ambiente pasteurizado da F-1 e o cotidiano indiano chega a ser divertido.
“Minha mãe falou para que, toda vez que eu visse uma vaca na rua, fizesse um pensamento positivo. Até agora, fiz um monte porque tem vaca em todo canto aqui”, afirmou Felipe Massa.
“Para nós, brasileiros, acho que a Índia lembra um pouco o que era o Brasil há 20 ou 30 anos”, disse o ferrarista.
Gel antisséptico no bolso para limpar as mãos, Bruno Senna disse que, apesar de ter vários amigos indianos, só quando desembarcou no país pôde entender a Índia.
“Só chegando aqui para entender o quão forte e o quão chocante é a realidade”, declarou o piloto da Renault.
Apesar de não adotar a mesma tática de Sebastian Vettel, que tem andado com uma garrafa de uísque para fazer bochechos após as refeições, Rubens Barrichello também tem tomado seus cuidados desde que chegou.
“Não estou escovando os dentes com a água da pia. Sempre levo uma garrafinha de água mineral”, disse.
Um dos poucos que teve tempo para fazer turismo desde que chegou, Vettel, que faturou o Mundial por antecipação, disse que a viagem de quase dez horas para visitar o Taj Mahal (a 200 km de Nova Déli) trouxe-lhe lições.
“Mais que ver o monumento, que é muito turístico, o caminho de ida e volta me ensinou muito sobre o país. Você vê tantos vivendo com tão pouco. Inspirador. Nos faz lembrar que muitas vezes não apreciamos as coisas que temos como deveríamos.”

TATIANA CUNHA
ENVIADA ESPECIAL A GREATER NOIDAFoto: Eugene Hoshiko/Associated Press