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Genro de Serra também teve dados fiscais violados


Por marciobasso 09/09/2010 - 01h07

O empresário Alexandre Bourgeois, genro do presidenciável José Serra (PSDB), também teve dados fiscais violados na agência da Receita Federal em Mauá (SP). O governo sabe do caso desde 24 de agosto, mas só nesta semana o incluiu no processo administrativo que apura a quebra ilegal de sigilo fiscal de tucanos. O acesso aos dados de Bourgeois foi revelado com exclusividade pelo portal estadão.com.br.
A agência de Mauá foi palco da quebra de sigilo fiscal de quatro tucanos e de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB. A invasão aos dados de Bourgeois ocorreu no dia 16 de outubro de 2009 e atingiu as informações cadastrais do empresário, casado com Verônica. Todos os acessos partiram do computador da servidora Adeildda Ferreira dos Santos, que trabalhava em Mauá. Na semana passada, o Estado revelou a estratégia do comando da Receita para abafar a violação do sigilo fiscal de Verônica, ocorrida dia 30 de setembro de 2009 numa agência Santo André. Por 20 horas, a Receita sustentou a versão de que ela pedira seus dados, mesmo sabendo que a violação ocorrera com uma procuração falsa.
Desta vez, descobre-se que o comando da Receita sabe dos acessos aos dados de Bourgeois desde 24 de agosto, quando a sindicância levantou todos os CPFs consultados no computador de Adeildda entre agosto e dezembro de 2009. O relatório – inserido numa “apuração especial” – mostra que as informações do genro de Serra foram acessadas três vezes – às 10h43m43s, 10h43m45s e 10h46m03s do dia 16 de outubro do ano passado.
Quando descobriu o acesso, há pouco mais de duas semanas, a Receita já investigava a violação dos dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, além de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Preciado, todos do alto escalão do partido.
A Receita tem sustentado a versão de que não há interesse político nas violações – uma estratégia para blindar a campanha de Dilma Rousseff (PT), onde parte dessas informações foi parar. Só que os componentes políticos só crescem: numa mesma agência, de um mesmo computador, foram vasculhados os dados da filha e do genro de Serra, de Eduardo Jorge e de mais três tucanos.
“Pelo jeito, o terminal de Adeildda era o lado negro da Receita”, disse o advogado dela, Marcelo Panzardi. “É evidente que ela foi usada, ela e o computador dela.”
Panzardi reafirma que a servidora apenas acatava ordens superiores. “Pode ter havido acesso por parte de Adeildda às declarações (de Bourgeois), mas certamente ela desconhecia de quem era a declaração. Recebia ordens para acessar, não estava interessada em nomes, apenas lidava com CPFs. Presumia que tudo estivesse dentro da legalidade.”
Ritmo. Ao omitir a violação dos dados cadastrais do genro de Serra por 15 dias, o ritmo da Receita harmonizou-se com a estratégia da campanha de Dilma, a ponto de permitir que o presidente Lula acusasse a oposição de “baixaria” no programa eleitoral da petista levado ao ar na terça-feira.
A Polícia Federal, que também investiga o caso, tentou notificar o genro de Serra ontem para depor sobre o assunto, mas sem revelar a razão da convocação. Para o comando do PSDB, isso mostra que a PF também tem feito parte da operação abafa do governo.
O jornalista Amaury Ribeiro fez circular, a pretexto do livro que estaria escrevendo sobre as privatizações e os tucanos, uma informação que tinha como origem as declarações individuais de IR de Verônica e de Bourgeois – tratava de empresas relativas a negócios da época em que eram solteiros. “Essa informação só podia ter sido conseguida com a violação de nossas declarações de IR”, disse ontem o genro de Serra ao Estado. Amaury está envolvido no episódio do suposto dossiê contra os tucanos que derrubou o jornalista Luiz Lanzetta da da campanha de Dilma. / COLABOROU FAUSTO MACEDO
PARA LEMBRAR
Tucano era líder no Ibope
Em setembro de 2009, pouco antes da quebra de sigilo, José Serra, então pré-candidato do PSDB à Presidência, era líder nas pesquisas. Levantamento do Ibope indicava que ele tinha 34% das intenções de voto, mais do que o dobro da petista Dilma Rousseff, que aparecia com 15% das preferências.
Fonte: Leandro Colon, Ana Paula Scinocca e Rui Nogueira – O Estado de S.Paulo