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Equador decreta estado de exceção


Por marciobasso 30/09/2010 - 05h29

O governo do Equador decretou nesta quinta-feira estado de exceção por uma semana em todo o território nacional e delegou o policiamento e a segurança interna e externa do país às Forças Armadas como reação ao amplo protesto de policiais e de parte dos militares contra o governo. As manifestações foram motivadas por uma proposta do governo que reduz benefícios salariais das forças de segurança e que está em votação na Assembleia Nacional.

Presidente do Equador, Rafael Correa (2º à direita) tenta dialogar com manifestantes no local de protestos na capital do país - Foto: AFP


O estado de exceção pode ser decretado pelo líder de um país em situações de emergência. A medida extrema inclui a suspensão temporária das garantias constitucionais, a possibilidade de decretar o toque de recolher e dá às Forças Armadas amplos direitos –como o de voz de prisão– para garantir a segurança nacional.
Centenas de agentes das forças de segurança do Equador saíram às ruas da capital Quito e ao menos outras duas cidades em um protesto em massa contra a lei do governo. O aeroporto de Quito foi fechado e suas operações canceladas após uma pista ser tomada por cerca de 120 militares que estariam apoiando os protestos e a imprensa equatoriana afirma que policiais tomaram a sede do Congresso.
Há informações desencontradas sobre a extensão do apoio dos militares aos protestos. Mais cedo, o chefe das Forças Armadas, o general Ernesto González, manifestou apoio integral ao presidente e reiterou que ele é autoridade máxima do país. Porém, um grupo de membros da Força Aérea aderiu às manifestações e tomou o aeroporto internacional de Quito.
O presidente Rafael Correa foi duro em suas declarações aos policiais e disse que os manifestantes “são um grupo de bandidos ingratos”.
PROTESTOS
Durante o protesto, os policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo e queimaram pneus após tomar bases em Quito e Guayaquil. A agência de notícias France Presse, que cita a porta-voz do Legislativo, Julia Ortega, diz que a sede do Congresso do Equador foi tomada em Quito por policiais.
Paralelo a isso, cerca de 150 membros da Força Aérea Equatoriana (FAE) tomaram o aeroporto internacional de Quito. ‘Cerca de 150 efetivos da Força Aérea Equatoriana tomaram a pista do aeroporto Marechal Sucre e também a rua na entrada’, afirmou à rádio Quito o porta-voz da empresa administradora Quiport, Luis Galárraga.
Os agentes também protestam em outros quartéis de Guayaquil (sudoeste) e Cuenca (sul), segundo informes policiais, mas a manifestação mais numerosa acontece na capital
O ministro coordenador de Segurança Interna e Externa equatoriano, Miguel Carvajal, afirmou que a situação é “delicada” e que os protestos constituem um processo de “desestabilização do governo e da democracia”.
Correa advertiu aos policiais que não cederá ante os protestos da polícia. ‘Não darei nenhum passo atrás. Se quiserem, tomem os quartéis, se quiserem deixar a cidadania indefesa e se quiserem trair sua missão de policiais’, afirmou Correa em uma acalorado discurso ante dezenas de militares que tomaram o principal regimento de Quito.
“Se quiserem matar o presidente, aqui estou, matem-no se tiverem vontade, matem-no se tiverem poder, matem-no se tiverem coragem ao invés de fiar covardemente escondido na multidão’, afirmou ainda. “Se quiserem destruir a pátria, aí está! Mas o presidente não dará nem um passo atrás”.
Agência: EFE