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China ultrapassa Japão como segunda maior economia


Por marciobasso 16/08/2010 - 10h32

O crescimento econômico do Japão desacelerou fortemente no segundo trimestre, ficando bem abaixo das expectativas. A estagnação do consumo e a queda das exportações pesaram sobre uma economia já embaraçada pela deflação e pela valorização do iene, limitando o Produto Interno Bruto (PIB) a um crescimento de apenas 0,4% no trimestre abril-junho, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo informou o Escritório do Gabinete de Governo.
A pausa no crescimento econômico pode intensificar a ansiedade com o fato de o Japão estar cedendo para a China, já neste ano, a posição de segunda maior economia do mundo, depois dos EUA. O PIB nominal do Japão caiu 0,9% no trimestre, ou 3,7% em bases anualizadas, para US$ 1,288 trilhão. O total ficou abaixo do PIB nominal da China, que somou US$ 1,337 trilhão no trimestre. O PIB trimestral nominal da China, em dólares, já havia superado o do Japão por duas vezes – no quarto trimestres de 2008 e de 2009 – embora o PIB nominal chinês de 2009 ainda tenha sido menor do que o do Japão (US$ 4,98 trilhões, ante US$ 5,07 trilhões). Os economistas afirmam, no entanto, que as atuais tendências de crescimento sugerem que a China pode ultrapassar o Japão neste ano.
O crescimento do Japão foi o menor em três trimestres, com um declínio acentuado na comparação com o porcentual revisado de 4,4% do trimestre janeiro-março. O resultado foi muito pior do que a mediana das previsões de 16 economistas consultados pela Dow Jones, que apontava para uma expansão de 2,3%. Em relação ao trimestre anterior, o PIB japonês cresceu 0,1%, depois de um aumento trimestral revisado de 1,1% nos primeiros três meses do ano.
Os dados se somam às preocupações, agora disseminadas, de que a frágil recuperação econômica do Japão possa estar perdendo impulso, na medida em que o crescimento de seus principais mercados de exportação também desacelera, e chegam no momento em que a China parece prestes a sobrepujar seu vizinho como a segunda maior economia do mundo.
Apesar da desaceleração, ainda parece improvável que o governo japonês se disponha a fazer mais para estimular o crescimento. O primeiro-ministro Naoto Kan fez da consolidação fiscal o seu principal objetivo. Isso significa que qualquer gasto adicional para impulsionar o crescimento deve ser limitado pelo esforço para reduzir a enorme dívida pública do país. Por essa razão, dizem os analistas, o verdadeiro teste para a economia japonesa será nos próximos meses, quando terminam os incentivos para os consumidores, bem como outros programas de estímulo, removendo o que tem sido um expediente crucial.
“A economia japonesa já entrou em pausa”, disse Keisuke Tsumura, secretário parlamentar do Gabinete de Governo para a política econômica e fiscal. O ministro da Economia, Satoshi Arai, emitiu uma declaração mais otimista. “Não precisamos nos mexer imediatamente com base na situação atual”, afirmou. As informações são da Dow Jones.