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Automóveis ajudam e produção industrial sobe 0,3% em julho


Por marciobasso 04/09/2012 - 05h01

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 4 Set (Reuters) – A produção industrial brasileira subiu 0,3 por cento em julho frente a junho, registrando a segunda alta seguida na comparação mensal, impulsionada principalmente pelo setor de automóveis.
O resultado, divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, veio acima das estimativas do mercado e sinaliza uma melhora no segundo semestre, ainda que insuficiente para reverter as expectativas de queda no final ano.
“É um segundo mês com um ligeiro ganho na produção industrial… São ligeiras variações na margem da série”, disse a jornalistas o economista do IBGE André Macedo. “O grande ganho vem de automóveis e da linha branca, que tiveram incentivo do governo.”
Na comparação com julho de 2011, a produção recuou 2,9 por cento, a 11a queda consecutiva nesse tipo de comparação, e no acumulado em 12 meses apresentou queda de 2,5 por cento. Em junho, o indicador havia mostrado avanço de 0,2 por cento ante o mês anterior, na primeira alta mensal depois de três quedas consecutivas.
Para o economista Alexandre Andrade, da Votorantim Corretora, já existem sinais para acreditar que “estamos passando por um ponto de inflexão”.
“Alguns setores estão com desempenho bom e devem favorecer a retomada, principalmente bens de consumo duráveis como automóveis e a linha branca”, destacou Andrade, creditando o desempenho desses setores às medidas adotadas pelo governo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
A indústria brasileira está sofrendo com a crise internacional, e vem sendo foco de preocupação tanto do governo quanto do mercado, sendo apontada como o principal empecilho para uma retomada mais forte da atividade econômica brasileira.
A redução do IPI, adotada pelo governo para estimular o consumo interno e reverter o quadro negativo, contribuiu para a retomada da atividade em julho, com a indústria automobilística crescendo 4,9 por cento em relação a junho, segundo os dados do IBGE. 
Em dois meses, junho e julho, o aumento na produção de automóveis somou 8,1 por cento, segundo o IBGE ao passo que a industria em geral avançou apenas 0,5 por cento.
Apesar do ganho, ele tem sido bem mais tímido que o observado em 2009 quando a redução do IPI de carros provou um aumento de 45 por cento na produção logo nos dois primeiros meses após o anuncio da medida. Ao longo de 2009, a produção de veículos automotores cresceu 97 por cento, de acordo com o IBGE , ante dezembro de 2008.
“Hoje você tem níveis de inadimplência mais altos, um comprometimento maior da rendas das famílias, o setor esta estocado… o crédito esta mais selecionado, há uma própria cautela com a crise global e também não se troca bens toda hora”, argumentou Macedo.
A redução de IPI também ajudou no crescimento de 3 por cento da produção de máquinas e equipamento, onde estão os produtos da linha branca, a quarta alta consecutiva. O ganho acumulado nesse período foi de 5,4 por cento. A atividade de móveis, também beneficiada pelos incentivos fiscais, segue o mesmo rumo.
AINDA É POUCO
Apesar do melhor desempenho em julho, os economistas seguem com a previsão de que o setor fechará o ano com forte queda em relação ao desempenho de 2011.
“Há uma melhora na margem, mas não é suficientemente forte para reverter o conjunto da queda em 12 meses. Isso é importante porque aponta que há bastante coisa para o governo fazer”, disse André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Ele estima recuo de 1,7 por cento no final do ano. “Os dados ainda sugerem uma situação bastante morosa.”
O IBGE também vê com desconfiança a possibilidade de reversão da queda de 3,7 por cento no ano.
Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira