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Aula financeira na escola eleva poupança


Por marciobasso 11/06/2012 - 12h25

Promover a educação financeira pode aumentar em 24% a parcela da renda poupada por uma família e agregar R$ 4 bilhões ao PIB nacional, aponta estudo feito pelo Bird (Banco Mundial).
O trabalho analisou um projeto-piloto do Enef (Estratégia Nacional de Educação Financeira) desenvolvido em cerca de 900 escolas brasileiras (um total de 26 mil alunos), entre 2010 e 2011, em seis Estados brasileiros.
Em metade dessas escolas, foram introduzidas situações didáticas de educação financeira nas disciplinas curriculares com participação não obrigatória. Também foram organizados workshops e atividades com os pais dos alunos envolvidos.
Na outra metade, houve um acompanhamento dos alunos que não tiveram nenhuma orientação específica sobre educação financeira, um grupo “controle”.
Para medir a evolução dos alunos, foi criado um teste para avaliar a capacidade dos alunos de programar suas finanças, calcular juros e outras competências.
A pesquisa concluiu que, no grupo que foi orientado, os conhecimentos financeiros tiveram um aumento de 24% (de 50 para 62 pontos), enquanto o grupo de controle teve uma melhora de 16% (de 50 para 59 pontos).
Para medir a autonomia financeira, o estudo perguntou aos estudantes se concordavam com algumas proposições, como “Gosto de pensar com cuidado antes de me decidir por comprar algo” e “Acredito que consigo poupar um pouco todo mês”.
No grupo orientado, a melhora nesse item foi mais próxima à do grupo de controle, (3% e 6%, respectivamente).
POUPANÇA
A parcela dos que poupam parte de suas rendas também apresentou modificações.
Enquanto no começo do projeto 58% dos alunos que participaram das atividades pretendiam poupar, após a orientação esse percentual passou para 59%. No grupo sem orientação, houve uma queda no índice.
Os alunos orientados passaram a se dedicar mais a fazer listas de gastos e despesas. O percentual dos que fazem algum tipo de programação passou de 11% para 17% no grupo orientado.
AVALIAÇÃO
Segundo Arianna Legovini, diretora do setor de pesquisas do Bird encarregado do estudo, o objetivo foi medir, de forma independente, o efeito das intervenções realizadas para calcular a viabilidade de implementar o projeto como política pública.
“A escolha da população com menor renda e menor educação foi lógica, já que o impacto da educação financeira na vida dessas pessoas é mais urgente.”
Além disso, nas escolas públicas há um maior número de pessoas que já trabalham e, portanto, participam de forma mais ativa das decisões sobre o orçamento doméstico.
Legovini diz que não se trata apenas de um condicionamento dos alunos a poupar mais. “Consideramos importante disponibilizar a essas pessoas as informações para que decidam no que realmente é importante investir.”
MARCELO ALMEIDA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA