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Alemanha anuncia maior recorte de gastos após a Segunda Guerra


Por marciobasso 07/06/2010 - 05h43


A Alemanha anunciou hoje um pacote de austeridade fiscal com o objetivo de poupar mais de 80 bilhões de euros, cerca de 180 bilhões de reais, até 2014, por meio de corte de gastos públicos (incluindo a supressão de 15 mil empregos públicos) e taxação de alguns segmentos específicos da economia.
Segundo o site alemão Spiegel International, esse é o maior programa de austeridade fiscal desde a Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945. “A Alemanha, maior economia da Europa, tem obrigação de dar um bom exemplo”, disse a a chanceler (chefe de governo) alemã, Angela Merkel, conforme o site destacou.
De acordo com o jornal Financial Times, o país vai fazer um economia “estrutural” (aquela que já desconta os efeitos cíclicos) de 11,1 bilhões de euros em 2011, 16,1 bilhões em 2012, 25,7 bilhões em 2013 e 32,4 bilhões em 2014.
Na avaliação do FT, Merkel rejeitou propostas de aumentar o imposto sobre a renda e preferiu privilegiar os cortes de gastos. O governo criará uma “taxa ecológica” (sobre viagens aéreas), com a qual pretende arrecadar 1 bilhão de euros por ano, e uma sobre transações financeiras, que deve somar 2 bilhões por ano.
Europa: planos drásticos
O site do jornal El País destacou o impacto que os principais planos de austeridade fiscal terão sobre o funcio0nalismo público. Abaixo, alguns dados pinçados pelo diário espanhol:
Grécia: redução de 16% no salário dos servidores, por meio do corte de complementos e pagamentos extraordinários.
Espanha: corte de 5% nos ganhos de todos os servidores, além de reduções específicas em alguns setores, gerando uma economia de 4 bilhões de euros até 2011
França: congelamento dos gastos públicos nos próximos três anos. Para isso, o governo vai deixar de cobrir as vagas de metade dos servidores que saírem dos seus empregos em 2010. Só neste ano, 68 mil pessoas devem se aposentar
Itália: corte de 5% a 10% na remuneração de ministros, parlamentares a altos funcionários públicos; redução de 10% das despesas salarias nos ministérios e eliminação de alguns contratos de assessoria
Reino Unido: redução da remuneração dos ministros em 5% e congelamento das contratações de novos funcionários.
Portugal: congelamento dos salários dos servidores e corte de 5% na remuneração de cargos políticos. O governo também evitará contratações no setor público.
Irlanda: queda de 15% nos salários dos funcionários públicos para os próximos dois anos, maior corte depois da Grécia.
Alemanha: o país vai economizar 10 bilhões de euros por ano com o funcionalismo, mas não deu detalhes. Segundo o Financial Times, 15 mil empregos públicos serão suprimidos.
Sílvio Guedes Crespo