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Acionistas terão 60 dias para avaliar criação do Novo Pão de Açúcar


Por marciobasso 28/06/2011 - 04h13

Os acionistas do grupo varejista brasileiro Pão de Açúcar e dos franceses Carrefour e Casino terão até dois meses para analisar a operação de fusão entre a CBD (Companhia Brasileira de Distribuição) e o Carrefour Brasil, o que daria origem à empresa NPA (sigla para Novo Pão de Açúcar).
“Todos os acionistas poderão avaliar, não é uma proposta hostil”, ressaltou Carlos Fonseca, sócio do BTG Pactual, que deve capitanear a operação por meio do fundo de investimento Gama, sociedade de propósito específico criada pelo banco apenas para negociar a fusão entre as redes varejistas.
“É uma proposta na qual achamos que o resultado gera um valor enorme para as duas empresas. Estamos fazendo a proposta por 60 dias, prazo que a gente acha suficiente para que seja analisado”, disse Pércio de Souza, sócio da consultoria Estáter, trazida para a operação por já estar em contato com o empresário Abilio Diniz.
A nova empresa vai repartir o Pão de Açúcar com o grupo francês Carrefour, na base de 50%-50%. O NPA, por sua vez, terá 100% da filial brasileira do grupo Carrefour.
Também por meio dessa reestruturação societária, o NPA terá 11,7% do grupo Carrefour no mundo, o segundo maior varejista global, tornando-se assim seu maior acionista, segundo Souza.
A proposta ainda contempla uma injeção maciça de capital na nova companhia. A Gama deve aportar 2,5 bilhões de euros (R$ 5,7 bilhões), sendo 1,7 bilhão de euros (R$ 3,86 bilhões) do BNDESPar (braço do BNDES) e mais 800 milhões de euros (R$ 1,82 bilhão) de sua controladora. “O BNDES já enquadrou a operação no comitê técnico, mas está sujeita à aprovação da diretoria”, afirma.
ABÍLIO DINIZ
O empresário Abilio Diniz, presidente do conselho do Pão de Açúcar, terá 17% do NPA. Já o Casino, que se manifestou contra a fusão, teria 29%. O grupo francês, vale lembrar, ampliou sua fatia na varejista brasileira neste mês para 37%.
O Casino e Diniz, que está na França tentando viabilizar o negócio, estão em atrito desde que o empresário contatou o Carrefour, principal rival do Casino na França, sem permissão, para discutir uma possível aliança.
Segundo nota divulgada nesta manhã, Diniz considera que “são enormes os benefícios do negócio”. Se aprovada, “a operação implicará uma mudança significativa na dimensão da companhia”. Com a participação na operação mundial do Carrefour, Diniz destaca ainda que a nova empresa “terá condições de levar os produtos brasileiros para todos os mercados estrangeiros onde o Carrefour já está presente”.
As sinergias, segundo Claudio Galeazzi, que já comandou uma reestruturação no Pão de Açúcar e agora é sócio do BTG Pactual, podem atingir R$ 1,7 bilhão.
CASINO
O Casino divulgou nesta terça-feira um comunicado em termos duros contra a possível fusão, onde afirma que tem “autoridade para se opor ao projeto” e que nenhuma negociação sobre o futuro do grupo brasileiro pode ocorrer sem o seu consentimento.
“O anúncio [da proposta de fusão] confirma que negociações secretas e ilegais foram conduzidas e estão ocorrendo. No entanto, em consideração aos acordos públicos que o Casino assinou com o Abilio Diniz, nenhuma negociação envolvendo o futuro do Pão de Açúcar pode ocorrer sem o Casino”.
Ainda na nota emitida hoje, o grupo Casino afirmou que irá examinar nos próximos dias “a melhor forma de defender os interesses corporativos da CBD e de seus acionistas que parecem comprometidos por este projeto”.
O grupo varejista francês entrou com um pedido de arbitragem internacional contra Diniz no mês passado, alegando que as negociações com o Carrefour contrariavam o acordo de acionistas que ambos possuem.
No centro da controvérsia está o acordo entre o Casino e o grupo de Diniz que permite que a companhia francesa assuma o controle do Pão de Açúcar, se optar por isso daqui um ano.
A opção do acordo entre Casino e Diniz foi instituída em 2006, quando ambos fundaram a holding Wilkes, que detém 66% das ações com direito a voto do Pão de Açúcar. Se exercer a opção, o Casino poderá indicar um nome para a presidência do conselho do Pão de Açúcar.
Sob as regras do acordo que criou a Wilkes, nenhuma das partes pode entrar em negociações de fusão sem o consentimento da outra.
Fonte: Reuters